O Âmago da Teologia
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- 26 de jan. de 2019
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O que é teologia e qual a sua finalidade? Saber isso nos fará ver a importância de tal ciência.
Teologia é a combinação de duas palavras gregas e em seu sentido literal ela significa "Estudo de Deus". Mas deixemos o significado etimológico da palavra e nos atentemos ao que ela é em essência. Petrus Ramus afirmou que, "Teologia é a doutrina de viver bem". Já para William Perkins (Teologia) "é a ciência de viver bem-aventurado para sempre. William Ames definiu teologia com as seguintes palavras: "Teologia é a doutrina de viver para Deus".
O que exatamente eles quiseram dizer com isso? E o que há em comum em cada uma dessas afirmações? Em cada uma delas vemos que a teologia nunca é definida como somente conhecimento separado da vida prática. Já que o objeto de estudo da teologia é a revelação da mente e da vontade de Deus, as Sagradas Escrituras, não faz sentido que ela fique apenas na área do conhecimento intelectual se ela não tiver como objetivo último a vida. Pois Deus deixou para nós a revelação da sua vontade como um guia de fé e de fé prática. Ou seja, a Bíblia nos foi dada para que creiamos no Deus que nela se revela e para que exercitemos uma fé viva que se manifesta vivendo conforme Deus requer do homem, em todos os aspectos da vida.
Na regeneração, usando as palavras da Confissão de Fé de Westminster, (Cristo) "[...] iluminando o entendimento deles (dos eleitos) [...] tirando-lhes o coração de pedra e dando-lhes coração de carne; renovando as suas vontades e determinando-as, pela sua onipotência, para aquilo que é bom [...]", transforma, assim, o homem todo. Não somente o entendimento, mas também, e com ele, sua vontade a fim de que o homem viva para Deus. Pois para que haja fé salvífica é necessário que o entendimento coopere junto com a vontade. Se o homem tivesse a mente regenerada para entender as coisas reveladas no evangelho concernentes à salvação, sem que a sua vontade fosse regenerada, ele somente entenderia o evangelho, mas não teria a vontade de crer nele. Se ele tivesse sua vontade regenerada para ter a vontade de crer, ele não poderia ter fé para ir a Cristo uma vez que não pode entender a obra de Cristo. Ela lhe "pareceria loucura, pois não pode entendê-las pois se discernem espiritualmente". Portanto, teologia é matéria do homem íntegral. Ela envolve mente e coração; entendimento e vontade.
Conhecer a mente revelada de Deus deve levar a prática, para que, assim, façamos a sua vontade: "não cessamos de orar por vós e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual; a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus" (Cl 1.9-10). O conhecimento da doutrina tem como fim a piedade: "viestes a obedecer de coração à forma de doutrina a que fostes entregues" (Rm 6.17); "o ensino segundo a piedade (1Tm 6.3). Deus quer que vivamos para a sua glória (1Co 10.31), pois para isso fomos criados (Is 43.7). Mas para glorificá-lo é necessário que façamos a sua vontade, o que necessáriamente envolve a aplicação da doutrina: "para que, no tempo que vos resta na carne, já não vivais de acordo com as paixões dos homens, mas segundo a vontade de Deus" (1Pe 4.2); "fazendo, de coração, a vontade de Deus" (Ef 6.6); "aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente" (1Jo 2: 17). Logo, viver para Deus envolve fazer a sua vontade. Todavia, é necessário que ele opere em nós a fim de que vivamos para ele: "porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade" (Fl 2.13); "Ora, o Deus da paz, vos aperfeiçoe em todo o bem, para cumprirdes a sua vontade, operando em vós o que é agradável diante dele, por Jesus Cristo" (Hb 13.20-21). Como disse Ames: "Os homens vivem para Deus, quando eles vivem segundo a vontade de Deus, para a glória de Deus, com Deus trabalhando neles". É isso que nos leva ao verdadeiro deleite em Deus.
Na teologia estudamos as Escrituras não como um fim em si mesmo; não para nos vangloriarmos do connecimento que adquirimos; não para humilharmos nosso próximo, mas sim para vivermos segundo a vontade de Deus. Pois a doutrina está para a vida assim como a luz para o dia. A vida para Deus é o âmago da teologia.
Mateus Felizardo




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